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domingo, 17 de abril de 2016

P/P 01: Um amigo, uma lembrança

Se foi, se foi para não mais voltar.
Acabou, mesmo sem iniciar. Lágrimas proibidas por mim mesmo
escorrem despercebidas pelo rosto sofredor. Sofredor e amante.
Um amante falso, que deseja a amizade pura já inexistente há anos.
Havia acabado, é verdade. Porém não é algo que se vá assim, de uma hora ou minuto para o outro,
menos ainda de uma cidade ou estado para o outro. Amizade é um sentença:
ou vive a eternidade, ou nunca nasceu; logo é morta. Imortal, mortal.
Recusava-me, logo eu, tão frio e calculista, a acreditar no fim daquela.
Dia após dia, alimentava-me de mentiras, respirava a esperança, vivia a blasfêmia.
Tudo ilusão, de fato. Eu mesmo iludia, eu mesmo era iludido.
O Eu sempre foi meu inimigo. Era minha última chance de corrigir e reparar todo o erro
e transformar toda mentira em verdade; Mas tudo foi posto a perder, é claro.
Aliás, isso é o que faço de melhor. Seria, então, uma virtude? Acho que não.
Com um texto, senti o mundo cair. Apenas palavras, palavras frias foram meu jantar. E para acompanhar, como bebida? Um cálice de lagrimas salgadas e com sabor de tristeza,
de morte. Não a morte da carne, a morte da esperança, parara de respirar por esta.
Agora é só ar. Sinto-me sufocado, o resto de esperança se encontra presa na garganta por um nó
provocante de mais lágrimas.
Estas fazem o cálice transbordar, escorrendo pelo meu colo
até morrerem na terra fofa. De onde vim e para onde voltarei junto com a amizade mais
falsa, porém verdadeira que já tive.
Ass..~~Pikachu

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