Apesar, quero deixar uma ressalva aqui sobre a obra Machadiana. Sempre que eu estudei Sobre Machado de Assis, os professores diziam o seguinte sobre as tais : Ninguém presta. Não sei se o que dizem está 100% certo, já que nesta obra eu percebi certa benevolência em algumas personagens. Outra coisa: Os professores sempre disseram que eram textos difíceis de ler, pois as frases não estavam em ordem direta. Sinceramente, não concordo. Eu sempre temi, um pouco, ler qualquer livro de Assis por esses infortúnios comentários dos professores, entretanto quando li Helena, eu percebi que não era o monstro que se era retratado na escola. Na verdade, a leitura foi bem fluida. Sem contar que o tema da estória foi muito boa, e me prendeu até o final da obra.
Ah sim, acabei de me lembrar que em um outro post eu havia dito que contaria umas curiosidades sobre este livro, o meu em especial. Eu o encontrei no final do ano passado enquanto voltava da escola. Estava posto para ser jogado no lixo. Eu fiquei absorta com os vários livros que seriam jogados fora. Acabei pegando esse, pois reconheci o autor. As folhas amareladas, o cheiro maravilhoso de livro velho. Amo. Quando abri o livro, havia ali um bilhete de passagem rodoviária. Nem liguei muito até eu ver a data. 28 de fevereiro de 1992. Isso significa que o livro deve ter sido impresso no mínimo um ano antes. Ano passado eu ainda tinha 15 anos, e eu fiquei louca. Um livro com um bilhete que dizia que o livro era bem mais velho que eu. Fiquei pensando: "Nossa, que rústico. Que vintage. Que velho. É uma relíquia, certeza". Esse livro provavelmente entreteu alguém e agora ele viera para mim. Dei um trato nele, e agora dá-se para o ler.
Partindo logo ao livro e sua estória, a ficha técnica:
Título: Helena
Autor: Machado de Assis ( Com introdução e notas de M. Cavalcanti Proença)
~Clássicos Brasileiros
~Edições de ouro_ selo 5412
Alerta spoiler
Se você pretende comprar o livro e não gostaria de saber o que ocorre no livro não leia este trecho até o final!
A estória começa com a morte do Conselheiro. Um homem importante que possuía uma filha fora do casamento. A surpresa vem junto com o testamento daquele, pois pede nele que reconheçam sua filha, Helena, como membro da família e que a tratem como tal: com amor. A princípio a Dona Úrsula renega a menina a todo custo. Entretanto, com o tempo e a doença que a acometeu, D. Úrsula percebeu que a menina era muito prendada. Cuidou das tarefas do lar e praticamente não saiu da beira de sua cama enquanto esta estava enferma.
-Logo na décima terceira página, ainda no início, já sou surpreendida por uma reflexão que aderi a minha vida: "- Mas a tristeza é necessária à vida. acudiu D. Tomásia, que abrira os olhos logo à entrada do marido. As dores alheias fazem lembrar as próprias, e são um corretivo da alegria, cujo excesso pode engendrar o orgulho" (pág. 13). sinceramente acho justo. Qualquer coisa ou sentimento em falta ou excesso faz mal. E, sinceramente, para mim, o orgulho é gerador de muitas confusões simplesmente desnecessárias.-
Helena e seu irmão, Estácio, acabaram por pegar o costume de cavalgar a tarde até um local perto de um casebre. Em uma destas saídas, tiveram uma conversa interessante em que o fez reconhecê-la como capaz de "pensar como um homem". Sim, exatamente. Isto, hoje em dia é meio óbvio, mas foi incrível como isso foi retratado no livro. Como se, nós mulheres fôssemos inferiores. Ás vezes, inclusive, apesar dos contras, agradeço por ter nascido em 99.
"- Valem muito os bens da fortuna, dizia Estácio; eles dão a maior felicidade da terra, que é a independência absoluta. Nunca experimentei a necessidade; mas imagino que o pior que há nela não é a privação de alguns apetites ou desejos, de sua natureza transitórios, mas sim essa escravidão moral que submete o homem aos outros homens. A riqueza compra até o tempo, que é o mais precioso e fugitivo bem que nos coube. Vê aquele preto que ali está? Para fazer o mesmo trajeto que nós, terá de gastar, a pé, mais uma hora ou quase.
[...]
-Tem razão, disse Helena: aquele homem gastará muito mais tempo do que nós em caminhar. Mas não é isto uma simples questão de ponto de vista? A rigor, o tempo corre de mesmo modo, quer o esperdicemos, quer o economizemos. O essencial não é fazer muita coisa no melhor prazo; é fazer muita coisa aprazível ou útil. Para aquele preto o mais aprazível é, talvez, esse mesmo caminhar a pé que lhe alongará a jornada, e lhe fará esquecer o cativeiro, se é cativo. É uma hora de pura liberdade.
Estácio soltou uma risada.
-Você devia ter nascido...
-Homem?
-Homem e advogado. [...]" (pág. 44,45)
Certo dia, Helena recebeu ma carta e Estácio ficou, particularmente, encrespado com a carta. Neste momento eu comecei a suspeitar que estaria rolando um incesto na parada. Principalmente quando juntei isso ao fato de ele estar noivo, mas ao mesmo tempo estar adiando sempre o ato de pedir a mão ao pai da da sua namorada. Sério mesmo, eu fiquei louca. Não é possível, será? Foi aí que comecei a ler o livro que nem uma viciada. Em todos o lugares, a toda hora. Fui até acabar o livro. Porque, até antes dessa minha suspeita, eu estava achando o livro meio monótono. E calma, que ainda falta muita coisa nessa estória, apesar de o livro ser pequeno e ter menos de 200 páginas!!!
Helena também sentia algo por ele. Isso ficou muito claro quando ele a perguntou se estava amando alguém e ela respondeu que amava muito. A partir daí, Helena começou a forçar mais ainda o Estácio a pedir Eugênia em casamento. Dentre essas várias conversas:
"- Pode ser; mas ao marido cabe a tarefa de fixar essa impressão passageira... O casamento não é uma solução, penso eu; é um ponto de partida. O marido fará a mulher. Convenho que Eugênia não tem todas as qualidades que você desejaria; mas, não se pode exigir tudo: alguma coisa é preciso sacrificar, e do sacrifício recíproco é que nasce a felicidade doméstica.
[...]
-É tão bom ver chover quando estamos abrigados! exclamou ele. Tenho lá na estante um poeta latino que diz alguma coisa nesse sentido... Que tem você?
- Estou pensando nos que não têm abrigo ou o têm mau; nos que não têm, neste momento, nem tetos sólidos nem corações amigos ao pé é si." (pág. 61,62)
Nesse momento eu pari tudo. Fechei o livro e os olhos, e pensei. Jota Cristo, ela ama o preto que estava descascando laranja! Voltei a ler porque eu precisava descobrir logo!
Em uma discussão que tomou como foco a Eugênia, Estácio soltou:
" A beleza é como a bravura; vale mais se não a metem à cara dos outros." (pág. 65) Helena ficou doida nessa hora.
Um amigo de infância do Estácio apareceu: Mendonça. Estácio tomou coragem pediu a mão de Eugênia. Se não me engano, era a tia. A tia de Eugênia ficou doente e Estácio foi com ela vê-la. Nesse tempo em que Estácio esteve fora, adivinha quem começou a se interessar em Helena? Exatamente. Mendonça. Entretanto, isso surpreendeu bastante, já que Mendonça já chegara falando mal da menina. E, ainda, era o considerado "aventureiro" e "desprendido", de acordo com ele mesmo, ele não nascera para casar. Era certo, entretanto, que Helena amava outro. Porém, com a ajuda do Padre, Helena convenceu-se de que Mendonça seria um bom marido e o aceitou de bom grado.
"-Oh! nesse ponto a minha ignorância sabe mais do que a sua teologia. Que são minutos e que são meses? Paixões de largos anos, chegando ao casamento, acabam muitas vezes pela separação ou pelo ódio, quando menos pela indiferença. O amor não é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger uma criatura que há de ser companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvaziar-se ou corromper-se. Que resta à maior parte dos casamentos, logo após os anos da paixão? Uma afeição pacífica, a estima, a intimidade." (pág. 107,108)
Helena, ao responder a carta que Estácio havia mandando -observação para o fato de Estácio não ter mencionado em sua carta, vez sequer, Eugênia- comentou sobre seu casamento com seu amigo. Estácio simplesmente largou tudo e foi correndo até sua irmã. Conversou com o padre e seu amigo e negou seu consentimento sobre o casamento. Helena muito discutiu a respeito com Estácio. além disso, o próprio padre disse a Estácio a verdade de que ele estava amando sua irmã! A partir deste e discussões com Helena e Mendonça, ele passou a consentir o casamento.
Porém, o inesperado e inexplicável ocorreu!!! Estácio viu Helena saindo do casebre que eles sempre viam em seu passeios a cavalo. Ele ficou transtornado, eu achei que fosse bater em Helena. Ele fez de tudo para todos entenderem que ela era impura, que não era mais virgem. Chamou o padre e D. Úrsula. Helena ficou tão abatida que não conseguia nem mais olhar no rosto deles. Mas a explicação e a verdade veio a tona. aquele homem que morava no casebre era, na verdade, o pai de Helena. Não, não o Conselheiro ele realente morreu. Mas o verdadeiro pai de Helena. TCHAAAAN SURPRISE MOTHERFUCKER!!! Não sei se você pensei na mesma coisa que eu, mas a primeira coisa que pensei foi "Oh Meu Deus, Helena e Estácio não são irmãos! Eles podem se casar e ser felizes para sempre! Não, na verdade não foi bem isso...
Se você já estava ficando feliz então pode ir parando para o seu próprio bem. Helena afirma querer sair da família e perder o direito à herança, mas os familiares não permitem. Muito fofo da parte deles, claro. Mas como a vida não é perfeita, Helena fica doente e morre. Ponto. Acabou. Choquei! Eu fiquei sem creditar. Cadê o final feliz? Cadê as caruagens? Nada disso... foi isso e ponto. Acho que era nessa parte que os professores falavam tanto na tal da "realidade". Sinceramente ? Eu ainda quero meu príncipe super educado e inteligente que ria das minhas idiotices comigo.
Assim, eu encerro a resenha deste mês. Aconselho muitíssimo que leiam Helena, pois é exatamente o tipo de trama que eu gosto. Passo a estória inteira pensando em uma coisa, mas no final é algo diferente. Minha nota? 10/10
Porém, o inesperado e inexplicável ocorreu!!! Estácio viu Helena saindo do casebre que eles sempre viam em seu passeios a cavalo. Ele ficou transtornado, eu achei que fosse bater em Helena. Ele fez de tudo para todos entenderem que ela era impura, que não era mais virgem. Chamou o padre e D. Úrsula. Helena ficou tão abatida que não conseguia nem mais olhar no rosto deles. Mas a explicação e a verdade veio a tona. aquele homem que morava no casebre era, na verdade, o pai de Helena. Não, não o Conselheiro ele realente morreu. Mas o verdadeiro pai de Helena. TCHAAAAN SURPRISE MOTHERFUCKER!!! Não sei se você pensei na mesma coisa que eu, mas a primeira coisa que pensei foi "Oh Meu Deus, Helena e Estácio não são irmãos! Eles podem se casar e ser felizes para sempre! Não, na verdade não foi bem isso...
Se você já estava ficando feliz então pode ir parando para o seu próprio bem. Helena afirma querer sair da família e perder o direito à herança, mas os familiares não permitem. Muito fofo da parte deles, claro. Mas como a vida não é perfeita, Helena fica doente e morre. Ponto. Acabou. Choquei! Eu fiquei sem creditar. Cadê o final feliz? Cadê as caruagens? Nada disso... foi isso e ponto. Acho que era nessa parte que os professores falavam tanto na tal da "realidade". Sinceramente ? Eu ainda quero meu príncipe super educado e inteligente que ria das minhas idiotices comigo.
Assim, eu encerro a resenha deste mês. Aconselho muitíssimo que leiam Helena, pois é exatamente o tipo de trama que eu gosto. Passo a estória inteira pensando em uma coisa, mas no final é algo diferente. Minha nota? 10/10
beijos ~~ Pikachu <3

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